Triagem em presídio do RS conta com apoio da Fiocruz Paraná para fortalecer diagnóstico de tuberculose no SUS
Uma ampla ação de triagem em saúde realizada no fim de janeiro deste ano no Presídio Regional de Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, contou com a participação do pesquisador Alexandre Costa, da Fiocruz Paraná, e apoio técnico-científico de equipes do Instituto Carlos Chagas (ICC/Fiocruz Paraná). A iniciativa integrou esforços da Polícia Penal, da Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS), da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) e do Centro Municipal de Atendimento à Sorologia (Cemas) daquele estado, com foco na prevenção, no diagnóstico precoce e no encaminhamento para tratamento de pessoas privadas de liberdade (PPLs).
Ao longo de cinco dias, cerca de 450 custodiados passaram por avaliações de saúde, incluindo exames e testes rápidos para rastreamento de tuberculose, HIV, sífilis e hepatites virais. Foram realizados testes moleculares para identificação precoce da tuberculose e aproximadamente 1.750 exames voltados à detecção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), garantindo o acompanhamento clínico na rede pública municipal para os casos identificados.
A contribuição da Fiocruz Paraná ocorreu por meio do projeto “Avaliação de uma solução tecnológica completa (extração de DNA + qPCR) para auxílio do diagnóstico de tuberculose no ponto de atendimento”. As equipes participaram da aplicação de um novo teste rápido molecular portátil, voltado ao diagnóstico da tuberculose, ampliando o acesso a tecnologias inovadoras no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo o pesquisador Alexandre Costa, o principal diferencial da nova ferramenta é a portabilidade. “Esse teste vem se somar aos que já podem ser disponibilizados no SUS para auxiliar os agentes de saúde no diagnóstico de tuberculose entre os detentos. Ele é bastante sensível e específico, e agora estamos demonstrando sua portabilidade”, explica.
A possibilidade de realizar o exame dentro da própria unidade prisional representa um avanço importante. “A grande vantagem é que o detento não precisa sair do presídio para fazer o teste. Ele pode ser realizado com maior agilidade pelo agente de saúde, reduzindo o tempo de espera e a exposição desnecessária da comunidade a uma possível contaminação”, destaca Costa.
O acompanhamento em tempo real da aplicação do teste permitiu observar o uso da tecnologia em um cenário de pesquisa aplicada, fortalecendo a cooperação científica e contribuindo para o aprimoramento das metodologias diagnósticas voltadas à saúde pública e ao contexto prisional. A mobilização envolveu cerca de 20 voluntários, entre acadêmicos, profissionais da rede municipal de saúde e servidores da Divisão de Saúde do Departamento Técnico e de Tratamento Penal (DTTP) da Polícia Penal.
Além do impacto imediato na triagem realizada em Santa Cruz do Sul, o projeto integra uma iniciativa mais ampla financiada pela Fiocruz e pelo Ministério da Saúde. O objetivo é desenvolver testes simplificados semelhantes para o diagnóstico de doenças como malária e hanseníase em áreas de difícil acesso, ampliando a cobertura assistencial para populações em situação de vulnerabilidade.
“O foco é garantir mais acessibilidade. Esse tipo de tecnologia pode ser utilizado por agentes de saúde para alcançar populações que têm dificuldade de mobilidade ou vivem em regiões remotas, aproximando essas pessoas do sistema de saúde”, afirma o pesquisador da Fiocruz Paraná.
A proposta prevê ainda a ampliação das ações para outras unidades prisionais vinculadas à 8ª Delegacia Penitenciária Regional ao longo deste ano, reforçando a política de atenção integral à saúde no sistema prisional e consolidando o papel da ciência e da inovação tecnológica no enfrentamento de doenças infecciosas no Brasil.
Texto: Ricardo Medeiros/Ascom






