A cena encontrada pela Fiocruz Paraná no período pós-pandemia era preocupante. Em 2022, entre cerca de 900 estudantes de um curso profissionalizante na área de Biotecnologia, apenas dois afirmaram já ter ouvido falar da instituição. Com toda a exposição que a instituição teve nas mídias nesse período, o dado revelou um distanciamento alarmante entre o instituto e a sociedade, especialmente junto ao público jovem.
Foi a partir desse diagnóstico que a Coordenação de Extensão e Divulgação Científica deu início a um processo estruturado de mudança. De forma gradual, foram criados e consolidados três programas próprios: ICC de Portas Abertas, Fiocruz Vem e Territórios em Transformação. Somaram-se a eles a adesão a programas nacionais da Fiocruz, como a Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente (Obsma) e Mulheres e Meninas na Ciência, além da construção de parcerias estratégicas e da presença constante em eventos de divulgação científica.
Em 2025, a Fiocruz Paraná marcou presença nos principais encontros de popularização da ciência do país, como a 77ª Reunião Anual da SBPC, em Pernambuco, a Mostratec Liberato, no Rio Grande do Sul, e os eventos Paraná Faz Ciência e Feira de Cultura Científica, no âmbito estadual. A instituição também participou de iniciativas de médio e pequeno porte, igualmente relevantes para o diálogo com a sociedade, como o Fiocruz pra Você, o Seminário contra a Desinformação e o EREBio Sul.
Esses eventos funcionam como amplificadores do alcance institucional, reunindo públicos de diferentes municípios e estados. Somente em 2025, a estimativa é de que cerca de 130 mil pessoas tenham sido impactadas pelas ações do Instituto Carlos Chagas da Fiocruz Paraná. Quando somados os públicos alcançados em 2024, esse número chega a 342 mil pessoas. Considerando todo o período desde setembro de 2023, quando os programas começaram a ser implementados, o impacto ultrapassa 400 mil pessoas em dois anos e meio.
O reflexo desse trabalho também aparece na alta procura pelos programas internos, que passaram a operar com vagas esgotadas e listas de espera. Para Maria das Graças Rojas Soto, coordenadora de Extensão e Divulgação Científica da Fiocruz Paraná e coordenadora da regional Sul da Obsma, o resultado demonstra uma virada institucional. “Esse alcance expressivo mostra que aproximar a Fiocruz da sociedade, com diálogo, escuta ativa e presença nos territórios, faz com que as pessoas reconheçam a instituição como parte de suas vidas e muda o olhar distanciado com que enxergavam o universo científico”, afirma.
O cenário atual contrasta fortemente com o de poucos anos atrás. Hoje, a Fiocruz Paraná se consolida como uma referência em divulgação científica no estado e na região Sul, fortalecendo vínculos com a população e reafirmando o papel da ciência como bem público, cumprindo, assim, a missão da Fiocruz.
Texto: Ricardo Medeiros/Ascom











































