Fiocruz Paraná mobiliza ações contra a doença de Chagas

Entre os dias 14 e 16 de abril, a Fiocruz Paraná promoveu um encontro que marcou o Dia Mundial do Combate à Doença de Chagas, reunindo pesquisadores de diferentes unidades da Fiocruz, docentes da Universidade Federal do Paraná e representantes das 22 regionais da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná. A iniciativa buscou integrar ciência, vigilância e assistência em torno de uma doença ainda considerada negligenciada.
O evento abordou toda a cadeia de conhecimento sobre a enfermidade, desde estudos básicos com o protozoário Trypanosoma cruzi e os insetos vetores, conhecidos como barbeiros, até o cuidado direto com pacientes no sistema de saúde.
Instituído pela Organização Mundial da Saúde, o Dia Mundial da Doença de Chagas remete a 14 de abril de 1909, quando Carlos Chagas identificou o parasito no sangue de uma paciente e descreveu, de forma inédita, o ciclo completo da doença.
“Este evento reforça o compromisso da Fiocruz Paraná em integrar pesquisa, vigilância e assistência, conectando diferentes atores para enfrentar um problema que ainda impacta milhares de brasileiros”, afirma Fabiano Figueiredo, diretor da instituição.
Segundo as coordenadoras do encontro, o diálogo entre áreas foi um dos principais ganhos. “Ao reunir pesquisadores, gestores e profissionais da saúde, conseguimos construir uma visão mais integrada da doença de Chagas, que é essencial para avançarmos no diagnóstico e no cuidado”, destaca Daniela Pavoni, pesquisadora da Fiocruz Paraná.
Fabiola Holetz, pesquisadora da Fiocruz Paraná, ressalta a importância da conscientização da população. “Existe uma percepção equivocada de que a doença de Chagas não está presente no Paraná, mas os dados mostram que precisamos ampliar o olhar, especialmente nas áreas rurais e entre populações mais vulneráveis.”
Dados apresentados durante o evento indicam que insetos capturados em ambientes domiciliares e peridomiciliares no estado frequentemente estão infectados. Além disso, a triagem em bancos de sangue revela casos de pessoas que desconheciam a infecção.
A doença de Chagas não pode ser erradicada da natureza, já que o parasito circula entre diferentes espécies de mamíferos. Por isso, especialistas reforçam que educação em saúde, diagnóstico precoce e ampliação do acesso ao tratamento são estratégias fundamentais.
A Fiocruz Paraná também destacou o legado de Carlos Chagas ao nomear a unidade paranaense como Instituto Carlos Chagas, reafirmando o compromisso histórico com a pesquisa científica
Texto: Ricardo Medeiros/Ascom























