Fiocruz Paraná debate novos critérios diagnósticos e terapêuticos da obesidade em palestra científica
Em alusão ao Dia Mundial da Obesidade, celebrado em 4 de março, a Fiocruz Paraná promoveu uma palestra que reuniu colaboradores, estudantes e pesquisadores para discutir avanços científicos no entendimento da doença. O encontro, realizado às 15h no auditório do instituto, teve como tema “Redefinindo a obesidade para além do peso: novos critérios e implicações terapêuticas”.
A atividade foi organizada pelo Laboratório de Biologia Básica de Células-tronco (LABCET), que desenvolve pesquisas voltadas à investigação de poluentes ambientais e de seus efeitos no acúmulo de gordura em células-tronco e em progenitores, como os pré-adipocitários. A coordenadora do LABCET, Alessandra Melo de Aguiar, destacou que a compreensão da obesidade, em seus aspectos clínicos é de grande importância para a condução das pesquisas e por meio dessa iniciativa, buscou-se estimular a reflexão científica sobre os novos paradigmas conceituais relacionados à obesidade e aos seus impactos na saúde pública, trazendo informações de qualidade para toda a comunidade do Instituto Carlos Chagas.
A palestra foi ministrada pela médica endocrinologista Michelle Garcia Polesel, graduada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). A especialista atua em pesquisas clínicas no Centro de Diabetes Curitiba e é preceptora da Especialização em Endocrinologia da mesma instituição, desenvolvida no Hospital Nossa Senhora das Graças.
Durante a apresentação, Polesel destacou que a obesidade vem sendo progressivamente redefinida na literatura científica. Segundo a especialista, a avaliação da doença não pode se restringir apenas ao peso corporal ou ao índice de massa corporal (IMC). Evidências recentes apontam para a necessidade de incorporar parâmetros metabólicos, inflamatórios e funcionais na caracterização clínica da condição.
Essa abordagem ampliada permite compreender a obesidade como uma doença complexa e multifatorial, influenciada por fatores biológicos, ambientais e comportamentais. De acordo com a endocrinologista, essa mudança de perspectiva contribui para diagnósticos mais precisos e para a definição de estratégias terapêuticas mais individualizadas.
A palestra também abordou diferentes possibilidades de manejo clínico, incluindo mudanças no estilo de vida, terapias farmacológicas e abordagens integradas no tratamento da doença. Para a especialista, considerar a complexidade da obesidade é essencial para melhorar os desfechos clínicos e orientar políticas de saúde mais eficazes.
O evento reuniu principalmente mestrandos e doutorandos da área de biociências, público familiarizado com discussões acadêmicas e análise de evidências científicas. A atividade reforça o compromisso do LABCET em integrar pesquisa básica e clínica, promovendo o debate interdisciplinar sobre os determinantes biológicos e ambientais associados ao desenvolvimento da obesidade.
Texto: Ascom
Foto: Itamar Crispim






