O Programa de Pós-Graduação em Biociências e Biotecnologia (PPGBB) da Fiocruz Paraná realizou, no dia 18 de março, a aula inaugural do ano letivo de 2026, reunindo estudantes, pesquisadores e docentes no auditório do Tecpar, em Curitiba. A atividade marcou o início das atividades acadêmicas com a palestra “A jornada de uma bactéria contra as arboviroses”, ministrada pelo engenheiro agrônomo e pesquisador licenciado da Fiocruz Luciano Andrade Moreira, consultor da World Mosquito Program.
A abertura do evento foi realizada pelo coordenador do PPGBB, Helisson Faoro, que destacou o papel do programa na formação científica e na produção de conhecimento com impacto social. Segundo ele, a aula inaugural simboliza o compromisso do programa com a ciência de excelência e com a formação de pesquisadores capazes de transformar conhecimento em soluções para a sociedade. “O PPGBB tem como missão formar profissionais altamente qualificados, conectados com os desafios contemporâneos da saúde pública e da biotecnologia. Iniciar o ano com uma palestra que mostra a pesquisa chegando à população reforça o propósito do nosso programa”, afirmou.
A apresentação do convidado foi feita pela vice-diretora de Ensino, Informação e Comunicação da Fiocruz Paraná, Letusa Albrecht, que ressaltou a relevância científica e estratégica da trajetória do palestrante. Para ela, a presença de Luciano Moreira na aula inaugural representa a aproximação entre pesquisa, inovação e aplicação prática. “Trazer um pesquisador que participa diretamente de uma das iniciativas mais importantes do mundo no controle das arboviroses é inspirador para nossos estudantes e mostra como a ciência desenvolvida no Brasil pode ter impacto global”, destacou.
Durante a palestra, Luciano Moreira apresentou a história e os resultados do método Wolbachia, estratégia inovadora de controle de arboviroses como dengue, Zika e chikungunya. A técnica utiliza a bactéria Wolbachia, capaz de reduzir a capacidade do mosquito Aedes aegypti de transmitir vírus.
O método tem origem em estudos iniciados na década de 1920 e foi desenvolvido ao longo das últimas décadas por pesquisadores de diferentes países, até demonstrar que a bactéria não apenas reduz a longevidade do mosquito, mas também bloqueia a replicação viral. A partir dessa descoberta, o World Mosquito Program passou a liberar mosquitos com Wolbachia na natureza, permitindo que a bactéria se espalhe naturalmente na população de insetos.
No Brasil, a iniciativa começou em 2014 e ganhou escala durante a epidemia de Zika, sendo posteriormente expandida para várias cidades. Estudos realizados em Niterói mostraram redução de 79% nos casos de dengue, 60% de chikungunya e 37% de Zika nas áreas onde o método foi aplicado.
Moreira também destacou a criação da biofábrica Wolbito do Brasil, inaugurada em Curitiba em 2025, com capacidade para produzir 100 milhões de ovos por semana, considerada a maior unidade do mundo dedicada ao método, que fica no campus do Parque Tecnológico da Saúde. A meta é ampliar a proteção para cerca de 140 milhões de pessoas nos próximos anos. Segundo o pesquisador, o sucesso do programa depende da integração entre ciência, políticas públicas e participação da comunidade.
Estudantes que participaram da aula inaugural ressaltaram o impacto da palestra para a formação acadêmica. A doutoranda Julia Weber Ferraboli avaliou que o encontro trouxe motivação para o início do semestre. “Conhecer mais de perto as pesquisas desenvolvidas na Wolbito reforça a importância da pesquisa básica como base para avanços científicos que resultam em soluções para problemas sociais relevantes”, afirmou.
Para Rafaela Ribeiro, aluna de mestrado, a palestra evidenciou a importância da ciência conectada com a sociedade. “Gostei de ver na prática como a pesquisa pode chegar à população. Saí ainda mais motivada com a carreira acadêmica”, disse.
O doutorando Mario Kujbida destacou a relação entre ciência e inovação tecnológica. “A apresentação mostra como a ciência pode fortalecer a indústria e vice-versa. O trabalho apresentado tem grande impacto no combate às arboviroses e demonstra o alcance internacional da pesquisa desenvolvida no Brasil”, comentou.
A aula inaugural marcou o início das atividades do PPGBB em 2026 reforçando o papel do programa na formação de pesquisadores e na produção de conhecimento científico voltado aos desafios da saúde pública, da biotecnologia e da inovação.
Texto e fotos: Ricardo Medeiros/Ascom







