Método desenvolvido no ICC tem patente de invenção concedida pelo INPI

por / quinta-feira, 09 dezembro 2021 / Categoria Instituto Carlos Chagas

Pesquisa utiliza células-tronco adultas para definir a toxicidade de uma nova substância candidata a medicamento, reduzindo a necessidade do uso de animais 

Fruto de um estudo desenvolvido pelo Laboratório de Biologia Básica de Células-Tronco do Instituto Carlos Chagas (ICC/Fiocruz Paraná) e a Plataforma de Bioensaios em Métodos Alternativos em Citotoxicidade, da Rede de Plataformas da Fiocruz (ICC/Fiocruz Paraná), o MÉTODO IN VITRO PARA PREDIZER A TOXICIDADE DE UMA SUBSTÂNCIA TESTE teve a patente de invenção concedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), no dia 03 de novembro. O método é resultado de uma pesquisa que utiliza células-tronco adultas para definir, com maior precisão, ainda na fase in vitro (no laboratório), a toxicidade de uma nova substância candidata a medicamento, reduzindo a necessidade de se fazer esse tipo de teste em animais.  

O uso racional e a busca de métodos alternativos à utilização de animais na pesquisa científica é, atualmente, uma preocupação mundial. Porém, apesar dos esforços da comunidade científica, ainda não é possível abrir mão da experimentação animal nas chamadas fases pré-clínicas do desenvolvimento de novos fármacos e outros produtos destinados à saúde humana. A equipe realizou testes de toxicidade utilizando as células-tronco em substâncias químicas de referência que já haviam sido submetidas aos mesmos testes em animais, com resultados idênticos. 

 “Quando temos uma sustância candidata a nova droga, o primeiro aspecto que precisamos investigar é se ela apresenta efeitos tóxicos ou não ao ser humano. Isso é testado, primeiramente, em laboratório, na fase in vitro, com a utilização de células, antes dos testes em animais e dos testes clínicos em humanos”, explica o pesquisador do ICC Bruno Dallagiovanna. “A ideia foi a de utilizarmos nosso conhecimento em biologia básica de células-tronco para aperfeiçoar esses testes in vitro, e alcançar maior precisão e confiabilidade nessa primeira etapa, contribuindo para a redução do uso de animais na etapa seguinte”, complementa. 

Com expertise em investigações que têm como alvo o estudo da utilização de células-tronco adultas, com foco na terapia do tecido cardíaco e nos mecanismos básicos de proliferação e diferenciação celular, o grupo do Laboratório de Células-Tronco assumiu o desafio da nova linha de pesquisa, com um diferencial importante. “As pesquisas realizadas neste contexto ao redor do mundo utilizam, geralmente, células-tronco embrionárias. Nós utilizamos células-tronco adultas, mais fáceis de obter, e, de acordo com nossas pesquisas, com capacidade também para definir se uma droga é tóxica ou não, de forma mais sensível que os ensaios que estão sendo feitos até agora”, ressalta a tecnologista pesquisadora Alessandra Melo de Aguiar, uma das integrantes da equipe que ainda conta com a atuação da Responsável Técnica pela Plataforma de Bioensaios em Citotoxicidade, Ana Paula Abud, ambas do ICC. “Trabalhamos com uma equipe multidisciplinar, que esteve envolvida com a execução dos ensaios”, reforça Ana Paula. 

O projeto foi recentemente apoiado pelo Programa Inova Fiocruz, no edital Produtos Inovadores, que possibilitou avançar no aprimoramento da metodologia e iniciar o desenvolvimento de ferramentas de análise de dados. “Os próximos passos do trabalho incluem o desenvolvimento da softwares para automatizar a análise de dados, prospecção da metodologia para novos desfechos, como a triagem de agentes antiobesidade ou disrruptores endócrinos, e sua validação”, informou Alessandra. “Estamos investindo bastante e vamos continuar trabalhando para desenvolver um conjunto de métodos que possam ser utilizados em laboratório e que possam reduzir drasticamente o uso de animais nos testes dos mais diversos produtos”, finaliza Bruno.
 
Desde 08 de outubro de 2008, o Brasil possui a Lei Arouca (Lei 11.794), que regulamenta o uso de animais para propósitos científicos e didáticos. A mesma Lei criou o Conselho Nacional de Controle da Experimentação Animal (CONCEA), ligado ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação,  responsável pelos regulamentos que regem o uso de animais em pesquisa em ensino e pelo credenciamento das Instituições envolvidas com essas atividades. Desta forma, o Brasil já controla a experimentação com animais em todo o território nacional. Em julho de 2014, foi publicada pelo CONCEA uma resolução normativa (No 17) que reconhece métodos alternativos ao uso de animais em atividades de pesquisa no Brasil, dada a importância deste tema para o desenvolvimento científico e tecnológico do país. 

Foto: Itamar Crispim


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