Imersão em IA e Biotecnologia inspiram futuras cientistas na Fiocruz Paraná
A Fiocruz Paraná promoveu entre os dias 5 e 30 de janeiro de 2026 a imersão científica “IA voltada à Biotecnologia”, uma iniciativa do Programa Futuras Cientistas, do CNPq, voltada exclusivamente a meninas do Ensino Médio da rede pública. A experiência científica que uniu tecnologia, saúde e educação pública.
A atividade foi organizada pelo Grupo de Imunologia Molecular, Celular e Inteligência Artificial (GIMC‑IA) e teve como objetivo aproximar jovens estudantes do universo da pesquisa científica, capacitando-as no uso de aprendizado de máquina aplicado a dados biológicos. Ao longo de quase um mês, as participantes mergulharam em uma rotina intensa de aulas teóricas e práticas, vivenciando o ambiente de pesquisa da instituição.
Sob a orientação do pesquisador Guilherme Silveira, com apoio de uma equipe de monitores, as estudantes desenvolveram um curso focado na manipulação e análise de dados utilizando a linguagem Python. Divididas em grupos, elas trabalharam com datasets fictícios contendo informações de 400 pacientes e 38 marcadores imunológicos, simulando cenários reais relacionados a leucemia, câncer de bexiga, infecção pelo HIV e soroconversão à vacina BCG.
A programação da imersão combinou aulas expositivas sobre imunologia básica, câncer, leucemia e respostas imunológicas, com atividades práticas voltadas à lógica de programação e à inteligência artificial. As estudantes tiveram contato com o ambiente de desenvolvimento VS Code, aprenderam conceitos como fluxogramas e pseudocódigo, além de fundamentos de Python, incluindo programação orientada a objetos, estruturas condicionais e de repetição.
No campo da Inteligência Artificial, o foco esteve no aprendizado de máquina supervisionado, com a apresentação e aplicação de diferentes modelos baseados em algoritmos, como Support Vector Machines (SVM), Gradient Boosting Machines (GBM), Random Forest (RF), Redes Neurais e Naive Bayes. A proposta foi mostrar como ferramentas computacionais podem auxiliar na identificação de padrões biológicos e apoiar pesquisas em saúde.
Ao final da imersão, as estudantes apresentaram seus projetos, demonstrando domínio inicial do VS Code, habilidade na manipulação de dataframes em Python, compreensão de conceitos fundamentais de imunologia e noções sólidas de inteligência artificial aplicada à biotecnologia. Segundo o relatório final, o grupo apresentou alto engajamento, curiosidade científica e capacidade de integrar conhecimentos biológicos e computacionais.
Para o pesquisador Guilherme Silveira, a experiência reforça o papel da ciência como ferramenta de transformação social. “Trazer meninas da escola pública para dentro da Fiocruz e mostrar que elas podem programar, analisar dados e pensar ciência de forma crítica é investir diretamente no futuro da pesquisa brasileira”, afirma.
A organização do evento contou também com a atuação da pesquisadora em formação Sofia Feronato, orientanda de Guilherme, que participou ativamente do planejamento e da condução das atividades. “A imersão mostrou que, quando oferecemos oportunidade, acolhimento e desafio intelectual, essas estudantes respondem com entusiasmo, criatividade e um enorme potencial científico”, destaca Sofia.
A iniciativa integra os esforços da Fiocruz Paraná e do CNPq para ampliar o acesso de meninas à ciência, especialmente nas áreas de tecnologia e saúde, contribuindo para a formação de uma nova geração de pesquisadoras e para a redução das desigualdades de gênero na ciência brasileira.
Texto: Ascom Fiocruz Paraná





