Fiocruz Paraná abre as portas para diálogo entre ciência e saber indígena

Na manhã do dia 8 de abril, os corredores e laboratórios da Fiocruz Paraná ganharam novos olhares, curiosos e atentos. Vindos de Pontal do Paraná, 47 integrantes da comunidade da Escola Estadual Indígena Guavirá Poty ocuparam o espaço não apenas como visitantes, mas como protagonistas de um encontro marcado pelo diálogo entre saberes.
A atividade faz parte do 2º Abril Indígena da Fiocruz e foi pensada como um dia de troca. Jovens com mais de 12 anos percorreram laboratórios e conheceram a área de microscopia, onde puderam observar de perto um universo invisível a olho nu. Para muitos, era o primeiro contato com equipamentos científicos. Já as crianças menores transformaram a experiência em cores e imaginação, participando de atividades de pintura e desenho.
Mas não foi apenas a ciência que se apresentou. Em um dos momentos mais simbólicos do encontro, a comunidade compartilhou sua cultura por meio de músicas e da exposição de artesanato, reafirmando a força de suas tradições e identidades.
A visita foi também um desdobramento de um encontro anterior. No dia 1º de abril, uma comitiva da Fiocruz Paraná esteve na aldeia, no litoral do estado, levando microscópios e promovendo uma atividade de iniciação científica. Mais do que apresentar tecnologias, a equipe teve a oportunidade de conhecer o território, as práticas culturais e o cotidiano da comunidade.
Para o diretor da instituição, Fabiano Figueiredo, iniciativas como essa reafirmam o papel social da ciência. “A aproximação com as comunidades indígenas fortalece o compromisso da Fiocruz com uma ciência que dialoga, respeita e aprende. É nesse encontro que construímos caminhos mais justos para a saúde”, destacou.
A visita aos laboratórios foi conduzida por estudantes do programa de Pós-Graduação em Biociências e Biotecnologia (PPGBB) da Fiocruz Paraná. A vice-diretora de Ensino, Informação e Comunicação, Letusa Albrecht, reforçou a importância da troca de conhecimentos. “Quando abrimos nossos laboratórios, também abrimos espaço para escutar. O conhecimento científico cresce quando encontra o saber ancestral”, afirmou.
O Abril Indígena, celebrado ao longo do mês, marca a história de luta dos povos indígenas no Brasil e, na Fiocruz, ganha contornos institucionais por meio de uma chamada coordenada pela Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS). As ações destacam a potência desses povos, a valorização de seus saberes e a importância do diálogo intercultural na construção de práticas em saúde.
Desde 2025, o Abril Indígena Fiocruz se consolidou como uma ação permanente, voltada ao fortalecimento da visibilidade, da saúde e do protagonismo indígena. E os encontros continuam: no próximo dia 23 de abril, a equipe da Fiocruz Paraná retorna a Pontal do Paraná para uma nova visita à comunidade da Escola Guavirá Poty, dando sequência a esse processo de aproximação.
Além das atividades educativas e culturais, a instituição também mobiliza solidariedade. Está em andamento uma campanha de arrecadação de cestas básicas destinadas à comunidade indígena, ampliando o alcance do cuidado para além dos muros da pesquisa.
Entre microscópios e cantos tradicionais, o que se viu foi mais do que uma visita institucional. Foi um encontro de mundos que, quando se escutam, ampliam horizontes e constroem possibilidades reais de transformação.
Texto: Ricardo Medeiros/Ascom
Fotos: Itamar Crispim e Equipe Abril Indígena Fiocruz Paraná
































































































