V Simpósio Araucária reúne cerca de 300 participantes e apresenta 141 trabalhos científicos

A quinta edição do Simpósio Araucária reuniu cerca de 300 participantes entre os dias 14 e 16 de outubro, em Curitiba, para três dias de debates, apresentações de trabalhos científicos e intercâmbio de conhecimentos nas áreas de biociências, biotecnologia, biologia celular e bioinformática. Organizado em parceria pela Fiocruz Paraná e pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), o encontro teve como objetivo aproximar estudantes, professores e pesquisadores, estimular novas colaborações e divulgar os resultados de pesquisas desenvolvidas em diferentes instituições.

Ao todo, foram apresentados 141 trabalhos científicos, sendo 103 em sessões de pôsteres e 38 em apresentações orais. Considerando também os coautores dos trabalhos, o simpósio envolveu indiretamente 707 pessoas, demonstrando a abrangência da produção científica compartilhada durante o encontro.

De acordo com Helisson Faoro, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Biociências e Biotecnologia (PPGBB) da Fiocruz Paraná, a expectativa era promover uma troca intensa de informações e experiências entre estudantes, pesquisadores, professores e palestrantes convidados. “O simpósio proporcionou essa integração e abriu oportunidades para novas colaborações científicas”, destacou Faoro. O evento foi resultado de uma colaboração entre o PPGBB e o Programa de Pós-Graduação em Biologia Celular e Molecular (BioCel) da UFPR. Nesta edição, o simpósio também contou com a participação do Programa de Pós-Graduação em Bioinformática da universidade, ampliando as possibilidades de integração entre diferentes áreas da ciência.

Para o pesquisador, o simpósio contribuiu para aproximar os estudantes da produção científica desenvolvida em instituições brasileiras e internacionais. “Foi uma oportunidade importante para compartilhar conhecimentos e ampliar as perspectivas de formação científica”, avaliou.

A vice-diretora de Ensino, Informação e Comunicação da Fiocruz Paraná, Letusa Albrecht, também ressaltou a importância do encontro para a formação dos estudantes e o fortalecimento das parcerias acadêmicas.

“O Simpósio Araucária proporcionou um ambiente importante para a troca de experiências e a divulgação das pesquisas desenvolvidas pelos nossos estudantes. A aproximação entre diferentes programas de pós-graduação e instituições fortalece a formação científica, amplia as oportunidades de colaboração e contribui para o desenvolvimento de novas pesquisas”, destacou Letusa.

Pesquisadores da Fiocruz participam da programação científica

A programação reuniu pesquisadores de instituições brasileiras e internacionais, com palestras, mesas-redondas, apresentações técnicas e sessões de trabalhos científicos. Entre os convidados internacionais estiveram David Rojas-Rueda, da Colorado School of Public Health, nos Estados Unidos; Inês Alves, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto, em Portugal; e Diana Marcela Álvarez Mira, da Universidade Nacional da Colômbia.

A Fiocruz Paraná também teve participação na programação científica. Helisson Faoro coordenou duas mesas-redondas no último dia do encontro, reunindo especialistas de diferentes instituições para discutir pesquisas e perspectivas em suas áreas de atuação. Uma das mesas contou com a participação do pesquisador Tiago Graf, da Fiocruz Paraná.

A abertura do simpósio contou com a participação do diretor da Fiocruz Paraná, Fabiano Borges Figueiredo, e de representantes da UFPR, entre eles Ciro Alberto de Oliveira, pró-reitor de Pesquisa e Inovação; Dieval Guizelini, diretor do Setor de Educação Profissional e Tecnológica; Luiza Helena Gremski, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Biologia Celular e Molecular; e Mauro Castro, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Bioinformática.

Premiações

O V Simpósio Araucária também reconheceu os melhores trabalhos científicos apresentados durante o encontro, com premiações em diferentes categorias. Entre os destaques estiveram três estudantes vinculadas à Fiocruz Paraná.

Alessandra Neis conquistou o segundo lugar na categoria de pôsteres de pós-doutorado com o trabalho “Endogenous controls for miRNA expression analysis in urinary cell-free RNA: towards reliable normalization of gene expression in bladder cancer”. A pesquisa investiga controles para a análise da expressão de microRNAs em RNA livre de células presente na urina, buscando contribuir para a obtenção de resultados mais confiáveis em estudos sobre o câncer de bexiga.

A estudante de iniciação científica Sthefanie Ribas Klein, integrante do OncoLab, conquistou o segundo lugar na categoria de apresentação de pôsteres com o trabalho “Fluidic Mechanical Stimulation Modulates Paclitaxel Response in MDA-MB-436 cells in a Breast-on-a-Chip Model”. A pesquisa investiga como estímulos mecânicos produzidos pelo fluxo de fluidos podem influenciar a resposta de células de câncer de mama ao paclitaxel, medicamento utilizado no tratamento da doença, em um modelo experimental conhecido como breast-on-a-chip.

Outra premiada foi Gisele Veiga, que conquistou o primeiro lugar, em premiação compartilhada com outros dois trabalhos, na categoria de pôsteres, com a pesquisa “Dinâmica Temporal do Proteoma de Vesículas Extracelulares Plasmáticas na Infecção por Plasmodium vivax”. O estudo investiga alterações ao longo do tempo nas proteínas presentes em vesículas extracelulares circulantes no plasma durante a infecção pelo parasito causador da malária vivax. Gisele também recebeu o segundo lugar no concurso de microscopia realizado durante o simpósio.

A estudante de iniciação científica Lays de Oliveira Guedes, orientanda do pesquisador Augusto Ramos, no Laboratório de Biologia Celular de Tripanossomatídeos (LabTryp) da Fiocruz Paraná, conquistou o primeiro lugar na apresentação de pôsteres da categoria Iniciação Científica (IC), com o trabalho “Localização subcelular e complementação epissomal do gene Tcap4-e em cepas nocaute de Trypanosoma cruzi”. A pesquisa investiga o papel dos complexos adaptadores no tráfego vesicular de Trypanosoma cruzi, agente etiológico da doença de Chagas. O estudo mais amplo do grupo tem o objetivo de elucidar os mecanismos moleculares envolvidos na via secretora e na endocitose no parasita, fundamentais para a proliferação e infectividade do parasita.

Entre os trabalhos apresentados esteve o de Camila Leitzke Toledo, mestranda do PPGBB da Fiocruz Paraná. Seu projeto busca desenvolver um teste diagnóstico do tipo point-of-care, que permite a realização de exames próximos ao local de atendimento, sem depender necessariamente de uma estrutura laboratorial complexa.

A pesquisa utiliza como alvos os vírus das hepatites B e D e tem como perspectiva contribuir para o diagnóstico dessas infecções em regiões remotas ou com acesso limitado aos serviços de saúde.

Para Camila, a participação no Simpósio Araucária representou uma oportunidade de aprimorar sua formação acadêmica, conhecer diferentes abordagens científicas e desenvolver habilidades de comunicação dos resultados de pesquisa.

A mestranda já havia apresentado seu projeto no Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MedTrop) e decidiu levá-lo também ao Simpósio Araucária para ampliar o contato com outros pesquisadores e adquirir novas experiências em apresentações científicas.

Outro trabalho apresentado foi o de Luana Pescke Soares, doutoranda que desenvolve uma pesquisa sobre a epidermólise bolhosa distrófica, doença genética rara caracterizada pela extrema fragilidade da pele.

A condição está associada a mutações no gene responsável pela produção do colágeno tipo VII, proteína fundamental para manter a adesão entre as camadas da pele. A alteração provoca a formação de bolhas e feridas, muitas vezes decorrentes de pequenos atritos ou traumas, e pode comprometer diferentes sistemas do organismo.

Entre as complicações mais graves está o aumento do risco de desenvolvimento de carcinoma espinocelular, um tipo de câncer de pele que pode atingir pacientes ainda jovens.

A pesquisa de Luana busca isolar e caracterizar células provenientes de uma paciente com epidermólise bolhosa distrófica, com o objetivo de estabelecer um modelo celular que permita investigar os mecanismos moleculares associados à alteração do colágeno tipo VII.

Para isso, a equipe realizou o isolamento de células a partir de fragmentos de pele e de tumor, utilizando diferentes condições de dissociação e cultivo. Posteriormente, as células passaram por processos de expansão e caracterização por imunofluorescência, além de análises de cariótipo.

O desenvolvimento desse modelo poderá contribuir para aprofundar o conhecimento sobre a doença e oferecer novas ferramentas para pesquisas sobre seus mecanismos celulares e moleculares.


Texto: Ricardo Medeiros e Romulo Lima/Ascom