Pesquisador da Fiocruz Paraná apresenta estudos sobre doenças parasitárias em evento internacional na Argentina

O pesquisador Marcel Ivan Ramirez, da Fiocruz Paraná, participou como palestrante convidado do IV Workshop do Grupo Argentino de Vesículas Extracelulares (GAVE 2026), realizado nos dias 24 e 25 de setembro, em Buenos Aires, na Argentina. Durante o encontro, apresentou resultados de pesquisas desenvolvidas no instituto que investigam como pequenas estruturas liberadas por parasitos podem influenciar o processo de infecção e a resposta das células do organismo hospedeiro.
Realizado na Faculdade de Ciências Exatas e Naturais da Universidade de Buenos Aires, o workshop reuniu pesquisadores, profissionais e estudantes de diferentes países para discutir avanços científicos relacionados às vesículas extracelulares e suas aplicações na saúde e na biotecnologia.
Ramirez integrou o grupo de convidados internacionais do evento e apresentou a palestra “Building the Infectious Niche: The Central Role of Extracellular Vesicles in Protozoan Parasites” (Construindo o nicho infeccioso: o papel central das vesículas extracelulares em parasitos protozoários).
A apresentação destacou pesquisas realizadas na Fiocruz Paraná sobre o papel dessas estruturas na comunicação entre parasitos e células hospedeiras, especialmente em infecções provocadas pelo Trypanosoma cruzi, agente causador da doença de Chagas, e pela Giardia intestinalis, responsável pela giardíase.
Como as vesículas extracelulares influenciam as infecções
As vesículas extracelulares são pequenas estruturas envolvidas por membranas, liberadas pelas células e capazes de transportar diferentes moléculas, como proteínas e material genético. Elas desempenham um papel importante na comunicação celular e, também, podem ser utilizadas por microrganismos durante o processo de infecção.
Nos estudos desenvolvidos na Fiocruz Paraná, os pesquisadores investigam como os parasitos utilizam essas vesículas para interagir com o organismo hospedeiro, criando condições que podem favorecer sua sobrevivência e multiplicação.
Os resultados apresentados por Ramirez demonstram que essas estruturas podem participar da modulação das respostas celulares, facilitar processos associados à infecção e contribuir para alterações na barreira intestinal, responsável por proteger o organismo contra a entrada de agentes nocivos.
A compreensão desses mecanismos é importante para identificar possíveis alvos terapêuticos e contribuir para o desenvolvimento de novas estratégias de prevenção e tratamento de doenças parasitárias.
No caso da doença de Chagas e da giardíase, compreender a comunicação entre os parasitos e as células infectadas pode ajudar a explicar mecanismos envolvidos no estabelecimento e na progressão das infecções.
O IV Workshop GAVE contou com pesquisadores de instituições do Brasil, Argentina, Chile, Espanha e Estados Unidos. Além das apresentações científicas, a programação contemplou discussões sobre a formação de uma comunidade latino-americana de pesquisa em vesículas extracelulares e os desafios da inovação e da transferência de tecnologias desenvolvidas nos laboratórios.
Texto: Ricardo Medeiros/Ascom

