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Seminário aborda trajetória de Carlos Chagas
27/05/2015 - Renata Fontoura/Ascom ICC

Simone Kropf, pesquisadora da COC/Fiocruz, palestrou e reforçou a importância da atuação do cientista para a vida pública do país

A trajetória científica e profissional do pesquisador que dá nome ao Instituto Carlos Chagas (ICC/Fiocruz Paraná) foi tema do seminário realizado no último dia 27 de maio no auditório da unidade. Palestrante convidada, a socióloga e historiadora Simone Kropf, coordenadora do Programa do Pós-graduação em História da Ciências e da Saúde da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), foi recebida por uma plateia formada por pesquisadores e demais colaboradores do ICC. Em uma apresentação que incluiu a exposição de imagens e documentos históricos, Simone remontou a inspiradora história de Carlos Chagas, responsável pela descoberta da doença que leva seu nome e reforçou a importante contribuição do cientista para a vida pública do país ao articular o conhecimento às questões sociais.

Segundo a pesquisadora, a descoberta da tripanossomíase americana - nome científico do mal de Chagas – foi construída e consolidada no seu aspecto clínico e, ao mesmo tempo, no seu aspecto social, como uma questão de saúde pública importante para o Brasil. "A doença foi construída como um emblema da Ciência de Manguinhos, dos problemas do Brasil, das doenças sobretudo do interior do Brasil. A produção do conhecimento científico é um processo social longo, coletivo, que se realiza sob certas circunstâncias históricas", ressaltou. "Era igualmente um emblema do papel da Ciência em resolver esses problemas e da excelência científica do Instituto Oswaldo Cruz, que produziu essa descoberta".

Da atuação no recém fundado Instituto Soroterápico Federal – que deu origem ao que hoje é a Fundação Oswaldo Cruz –, passando pela fase em que assumiu simultaneamente a diretoria do Instituto Oswaldo Cruz e o posto de Diretor Geral de Saúde Pública, até as expedições científicas pelo interior do Brasil, a trajetória de Chagas foi apresentada com uma contextualização histórica que inclui o clima de modernização republicana e colocou a ciência como campo determinante para o progresso do país.

Na época, a ciência vivia uma ampla difusão da microbiologia e da medicina tropical. No Brasil, a ciência desenvolvida por Carlos Chagas estava articulada com o compromisso social e trazia um olhar do interior do país que contrastava com o progresso acelerado das capitais. “Chagas apresentou na Academia Brasileira de Medicina um vídeo, com aproximadamente oito minutos de duração, datado de 1910, filmado em Lassance (MG). As imagens que mostravam doentes na cidade onde ele descobriria a doença, repercutiram na imprensa e causaram um grande impacto”, contou a pesquisadora. "É difícil imaginar que, ao mesmo tempo em que havia um Brasil se modernizando, havia também aquele outro Brasil completamente desconhecido pelo público das grandes cidades", observou Simone.

Ao relembrar a importância da atuação de Carlos Chagas e Oswaldo Cruz para avanços como a implantação do 1º Curso Especial de Saúde Pública no país e dos serviços de atendimento médico no interior do Brasil, a palestrante reafirmou o importante legado dos cientistas. “O modelo de ciência que desenvolviam era um modelo de ciência que não é passiva, que abrange uma dimensão social e que tem compromisso com agenda da saúde pública brasileira. O que eu acredito que é e sempre será o marco da Fiocruz”, finalizou.

Carlos Chagas iniciou sua trajetória em 1905 com a participação nas campanhas contra a malária, chamado por Oswaldo Cruz. Quando faleceu, em 1934, exercia a direção do Instituto Oswaldo Cruz.


Palestrante convidada, a socióloga e historiadora Simone Kropf, coordenadora do Programa do Pós-graduação em História da Ciências e da Saúde da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz)
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